Refletindo sobre o prazer da dor.



Antes de iniciar meu tour de férias, gostaria de trazer um diálogo entre mim e meu professor que fez indicação do livro Objeto do Prazer do Professor Dr. Osvaldo Rodrigues Jr.
Existe um capítulo sobre sadomasoquismo e esse é o foco de minhas pesquisas teóricas e certamente nada me surpreendeu, além de trazer uma reflexão das minhas aulas teóricas confrontadas com a minha vida prática de mais de 20 anos com meus submissos e, portanto, vamos lá...
Nesse texto, temos a presença de um psicanalista que é um dos que mais pesquisou o sadomasoquismo, não se fala em BDSM, mas está totalmente implícito, nas falas do autor (Rodrigues Jr) nas suas considerações finais e o que me chama para esse debate é o fato do psicanalista Stoller questionar que não existe “instinto de sofrer”, que isso é anti-natural, que não existir uma pulsão sadomasoquista como Freud já abordou exaustivamente em seus textos.
Stoller diz que o indivíduo tem incapacidade de se livrar do trauma infantil que viveu, revivendo-o concretamente, seguindo o pensamento psicanalítico de seu autor de referência Sigmund Freud, já falamos diversas vezes sobre isso aqui nesse blog. Uma questão universal para o homem de buscar entender a razão lógica de alguém se entregar aos prazeres do sadomasoquismo e já debatemos muito quando postei textos da teoria comportamentalista (Behaviorismo) e que a melhor explicação ainda é a de Freud. Dessa forma eu prestei muita atenção nessa colocação, já que ele é freudiano e de certa forma ele está indo contrário ao que o mestre falou e escreveu. Acredito que ainda precisam de muitos mais estudos e mais aprofundamento sobre o assunto para eu poder considerar o que ele disse, já é sabido que o sadomasoquismo ainda faz parte do cid 10 de doenças psiquiátricas no DSM 4, manual dos EUA, embora isso me espanta, porque fica uma visão negativa do BDSM, mesmo com um site que busca retirar nossa prática no ReviseF64.
A questão desse capítulo é entender a origem do BDSM, não só na visão de Stoller, mas do Professor Oswaldo Rodrigue Jr. Como surgiu o BDSM?
O livro todo tem teor informativo, onde ele fala do contexto histórico de práticas sexuais em geral, aborda uma visão psicanalítica, retoma a questão da repressão, da punição por se deixar levar por tais instintos/pulsões como queira chamar, o Dr. Oswaldo busca desmistificar uma visão patológica ou como desvio sexual de todas as formas, tenta dizer ao público e profissionais até onde uma prática está dentro da normalidade e o que é patológico, buscando embasamento cientifico ao longo da história e  por pesquisas de campo, porém,  ele conta sobre as variações sexuais ou desvios, bem como os objetos do prazer. Tudo que está no capítulo é o que pratico de forma rotineira nessa minha vida depois que eu me reconheci Sádica/Dominadora. Até aí não vi novidade nenhuma. Mas se me escapou alguma coisa foi o fato da definição atual do que é Sadomasoquismo: É uma fantasia? É um desvio? Porque ainda está no DSM4 e no código internacional de doenças?
Começamos com a primeira: ...é uma fantasia? Eu tive mais de 400 homens que se entregaram a mim, seja por um curto período de tempo de uma sessão (mínimo de duas horas) ou por longos períodos (um ano, como por exemplo, bruno castelo) e jamais saíram de seus personagens, aliás alguns mantêm a mesma postura ao falar comigo até hoje, porque seguem a liturgia ou porque o são assim? Pouquíssimos que mantiveram contato comigo nesses anos que domino no real mudaram de postura e a esmagadora maioria ainda mantém contato periodicamente no meu chat desde que os dominei e refiro-me á submissos que dominei há mais de 10 anos atrás, que permanecem submissos, mesmo que não a mim, mas por outras que se casaram ou se entregaram, porque sentem necessidade de serem dominados. Hoje eu não posso responder a essa pergunta objetivamente ou de forma categórica sem respaldo científico e tudo depende de que forma se olha para o bdsm, se o olhar como comércio, produtor de fetiches e a realização, sim é uma fantasia, se olhar como uma alma submissa que tem necessidade de controle, de ser preso, amarrado, espancado, controlado, não pode ser de forma alguma uma fantasia, pois do contrário não se sentem vivos e eu pessoalmente não acredito ser e como eu falei, somente um estudo aprofundado, muita leitura, eu poderia esboçar algum pensamento concreto e objetivo sobre um assunto tão complexo que envolve o lado mais obscuro do ser humano, esse mesmo ser sofre forte repressão desde seu nascimento, precisaria se levar em conta todo o processo histórico de quem o percebe e fala dele, enfim, não sei responder e o livro não me ajudou nisso.
Estou lendo Freud o texto “Totem e tabu”, porque eu acabei de estudar nesse semestre e achei muito importante para minha formação, não sei, as vezes identifico comportamentos dos meus submissos muito semelhantes ao que Freud cita lá.
Então para vocês não terem uma crise de abstinência dos meus posts, fica aqui essa reflexão, mas preciso que debatam, comentem para que eu sinta mais necessidade de postar para vocês, pois senão... chicotes e pisadas.

Por senhora do Castelo 4.0.

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