Vontade de poder


Nietzsche escreveu depois de assistir o desfile da cavalaria ao iniciar a guerra Franco-Prussiana: “Senti pela primeira vez que a mais forte e mais nobre vontade de viver não encontra expressão em uma miserável luta pela existência, mas em uma vontade de guerra, uma vontade de poder, uma vontade de dominar”.
Para ele, o poder no sentido primário é a capacidade de fazer com que as pessoas façam o que queremos e é parte dos instintos humanos. Nietzsche vai muito mais além desse simples conceito e colocou outro termo: “vontade” de poder.
Pensando friamente e pela lógica da existência da vida, se não existe Deus, qual o sentido da vida? Já que se constitui de sofrimento e luta? Para ele e em concordância com seu mestre Schopenhauer, o ser humano possui uma força irracional, que ele denominou de vontade.
No entanto, ao contrário de Schopenhauer, Nietzsche pensa como Aristóteles, isto é, para ele a realidade não tem nada que não possamos ver, sentir, tocar, isto é, a realidade é este mundo e somente essa passagem da nossa vida que nos resta, nada de além da vida ou outra vida, é isso aqui e acabou e por isso, como pensa o Marques de Sade, devemos viver nele com plenitude.
Dessa forma existem dois tipos de homens, os fracos, cuja virtude é típica de escravos: abnegação, auto sacrifício, colocar a vida a serviço dos outros porque não deseja nada além do conforto e satisfação.
Os fortes “Übermensch”, os que dominam são superiores, não porque nasceram assim, mas se tornaram dominadores. O forte de dominador experimenta a vida com maior intensidade e profundidade do que a humanidade comum cria seus próprios valores e suas regras com rigor intelectual, honestidade consigo mesmo e vivem o real, não o ideal ou o imaginário, mas sim a prática, a experiência, ao invés de mero conforto de ficar somente no plano das ideias. Ele procura alegria, não se conforma com pouco, pelo contrário, ele vai conquistando e dominando, inclusive na questão sexual, ele possui o outro para si completamente.

Conclusão: Aquele que é forte para Nietzsche ama a vida e está no mundo real para dominar os que são fracos no último grau: ele quer todas as coisas, incluindo a sua própria vida, e até mesmo a vida daqueles que ele despreza.
Por Senhora do Castelo.