O Marques de Sade e sua filosofia.



Quem acompanha meu Blog já percebeu que meus textos atualmente possuem um nível mais acadêmico, isso ocorre devido ao fato de estar cursando filosofia e, minha intenção é dividir o que aprendo sempre relacionando com o BDSM que pratico, no sentido de dividir o saber com quem pretende viver meu estilo de vida, dessa forma, não poderia faltar o filósofo que deu seu nome à o que sou sádica, o Marques de Sade.
Como falou Sócrates, a busca do saber é a maior das virtudes do homem e de posse desse conhecimento se torna feliz, pois a boa prática depende da filosofia teórica, definir os conceitos possibilita isso, e é esse meu objetivo.
A filosofia de Sade se denomina libertinos e é o oposto do que os filósofos da sua época acreditavam. Rousseau dizia que a natureza humana é boa, mas ao se envolver com a cultura perde a condição natural, se corrompe e se aliena. Sade diz o inverso, a natureza humana é má, e uma das suas constatações é que nós envelhecemos e apodrecemos e uma das saídas contra a natureza é a antecipação dessa nossa degradação, experimentando tudo que desejamos executar, de forma racional, dominando a si mesmo e antecipando esse sofrimento e a dor.
Para quem não sabe, toda filosofia antiga prega
evitar a paixão e vícios, pois são inimigos do saber, impedem que sejamos racionais. Temos que controlar, domesticar.
O libertino inverte essa fórmula, ele experimenta o prazer com dor ou sem dor para viver a melhor fase de sua vida com total liberdade para seus desejos. O sadismo vem de onde? Das escritas do Marques de Sade, de suas histórias. Ela representa o elemento da razão, a escrita é um instrumento da razão, mantendo-o para além da natureza não cedendo. A filosofia de Sade é a soberania sobre o corpo e todos os desejos desse corpo.
Sade usava o que podia para chocar, no sentido de criticar a moral à sociedade de sua época. Sua moralidade mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas que não estavam distantes da realidade. Em seu romance 120 Dias de Sodoma, por exemplo, nobres abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos. Em Justine, torturas físicas, psicológicas das mais terríveis e inimagináveis até então com crimes e depravações. A Filosofia na Alcova (Preceptores Morais), no qual um casal de irmãos e um amigo libertino "educam" a jovem Eugénie para uma vida de libertinagem, mostrando-lhe aversão aos dogmas religiosos e costumes da época.
Finalmente a questão da inversão. Sade, que sempre amou mulheres tolerantes a suas aventuras, defendeu ardorosamente o coito anal e chegava a pagar criados para sodomizá-lo publicamente em suas orgias, das quais a primeira mulher, Renné de Sade, teria participado.
Bom, era isso que eu gostaria de mostrar e desmistificar a ideia de que tais práticas sejam alguma coisa de outro mundo.
Por Senhora do Castelo.